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quarta-feira, 4 de julho de 2012

MUDARAM AS ESTAÇÕES, Cap. II



Outono
Novamente borboletas no estomago, novamente ansiedade ao enviar mensagens e novamente o medo do que viria depois de tudo isso. Sinceramente, eu adoro me apaixonar amo sentir todos os sintomas de um coração que esta amando, só não amo ter que ignorar tudo isso depois de um tempo, detesto quando meu príncipe encantado vira a porcaria do sapo.
Pois bem, agora não é a hora certa para filosofias, seria muito mais construtivo se eu já estivesse pronta, e não com a toalha enrolada ao corpo, em frente ao guarda-roupa decidindo qual vestido usar: algo não muito curto, mas curto na medida para me deixar o mais próximo de sexy, ou algo parecido. Nada de decotes, eu não peitos, e... Oh meu Deus, eu não tenho peitos, o máximo de volume existente se compara à ovos fritos! Shit.
É, tubinho preto vemnimim.

~

Primeiros encontros são sempre desastrosos, no meu caso, o segundo encontro possivelmente será um desastre.
Não me dou muito bem com comida francesa e adivinhem aonde iremos jantar hoje?
Conheci Pablo numa baladinha aqui da minha roça, ele é incrivelmente educado e diria que o típico garoto bonzinho, não fuma, não bebe, não tem tatuagens nem brincos e acredito que não tenha antecedentes criminais. 
Minha mãe diria que Pablo é perfeito, e sabe, dessa vez sou obrigada a concordar com ela.


Continua...


sábado, 30 de junho de 2012

MUDARAM AS ESTAÇÕES, Cap. I



Outono 
A maquiagem borrada e quase a mesma sensação que tinha aos sete anos: de não saber como havia parado em sua cama, só que desta vez eu não passei a madrugada vendo TV. O quarto bagunçado e algo que estava me subindo pela garganta, possivelmente alguns dos copos de vodka da noite anterior.
SMS do carinha da festa de ontem e uma puta dor de cabeça, enfim experimentava a poesia de uma bela ressaca. Mas vamos lá, dia que segue.
Ser adolescente e viver numa cidade pequena é realmente uma bela bosta, porque independente do que você faça, não importa se aquilo diz respeito somente a você, a cidade inteira irá “comentar” sobre. Estava pensando sobre isso quando a Ju chegou. A Ju não é um exemplo de boa conduta, mas mesmo assim é minha melhor amiga, nós nunca falamos isso uma para a outra, mas eu sei que é assim.
Conversar com a Ju é sempre bom, suas ideias muito a frente da nossa cidadezinha do interior sempre me fazem bem. Só que no momento, eu que deveria fazer bem a ela, seu relacionamento com um tal de Gustavo não andava lá essas coisas e ao que parecia ela realmente gostava dele:
- Mas Ju, vai ver ele só esta com algum problema, e isso não significa que ele não te ame...
- Não Sabrina, não, ele realmente esta diferente... Eu sinto isso. Mas agora preciso ir, minha mãe resolveu preparar uma tarde de compras como se fossemos amigas, sabe, tem horas que ela não se toca. Tecnicamente eu ando precisando muito mais de uma mãe do que só de mais uma amiga para compras!
- Ahh, Ju, ela esta tentando te ajudar, sabe... É o modo que ela encontra para se aproximar de você, mesmo depois de tudo o que aconteceu. Sem falar que uma tarde de compras será um santo remédio pra fazer você se sentir melhor!
- É quem sabe... Bom, eu preciso ir agora. E vê se responde minhas mensagens.
Eu juro que se soubesse ajudaria muito mais minhas amigas, mas dar conselhos e amenizar situações nunca foi comigo, bom, pelo menos eu tento. E falando em responder mensagens, eu acho que um acerto alguém andou me mandando várias, e olha só quem esta aqui novamente: insegurança sua linda, senti sdds.


Continua...


sexta-feira, 29 de junho de 2012

MUDARAM AS ESTAÇÕES


Ela queria ver tudo, queria conhecer o mundo todo e também a si mesma, queria acreditar nas pessoas e em todas as fantasias por elas criadas. Ela queria ser outra. Queria nascer das cinzas que lhe restavam, queria ser como a fênix. Mas não era.
Era brisa, mas queria ser furacão.
A garota do vestido azul só sabia aquilo que queria saber, e talvez por isso, não estivesse ciente do poder das brisas e nem das mudanças singelas que elas proporcionavam, ao menos não naquele momento.

A pequena mochila estava pronta, e a carta já escrita. O coração batia acelerado.
Deixar a casa dos pais de forma tão grotesca não parecia boa ideia pra alguém que ate outro dia só pensava no futuro, nos estudos e na faculdade de medicina. O barulho da moto que estava na esquina a acelerava, e a fumaça que saia do escapamento, casando suavemente com a neblina daquela noite a faziam por algum momento pensar em ficar.
Mas afinal foi, queria ser furacão, queria fazer jus ao batom que usava.
- Podemos ir?
Disse o cara da jaqueta de couro e camisa branca, aquele que até então era dono de seu coração. Ela balançou a cabeça positivamente e agarrou-se a ele, de hoje em diante, somente a ele. 


Continua...